terça-feira, 26 de outubro de 2010

Ei, eu quero crescer! Por que é tão exaustivo e dói?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A vida vem sempre nos presentear com novas descobertas, e como já disse, aprender é uma das coisas que mais prazer me dá.
Tenho descoberto o mundo da literatura infantil com 30 crianças, e é como se eu fosse a de número 31.
Quando estou lendo com eles, é tão clichê eu dizer isso , mas é tão verdadeiro, a empolgação de conhecer novas histórias é tanta que é como se me reencontrasse com a infância que ainda me é tão presente.

Hoje descobrimos uma poesia linda do Pedro Bandeira.

O meu velho

Atrás do rato
tem sempre um gato.
Atrás do gato
tem sempre um cão
Atrás do cão
tem um menino.
E atrás dele
tem sempre um pai.

Pai,
mesada,
abraço,
puxão de orelha,
castigo,
mas pai.

O rosto arranha
com a barba,
mas pai.

Não pode jogar bola
comigo,
está ocupado,
mas pai.

Atrás da mesada,
do abraço,
do puxão,
da ocupação,
do castigo,
do rosto,
do arranhão,
um pai.
Meu pai.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Há dias que a gente fica com coração apertado .

Fica boa logo, vó!

sábado, 18 de setembro de 2010

Enfim só
[Alone at last]

Enfim só
oi, tenho que ir
Eu me conheci há um ano, que susto!

Enfim só
Oi, tenho que chegar
Eu topei comigo há dois anos- que susto!

Como era a cara daquela menina
com que eu nunca casei
Voo para o futuro e a vejo com um carrinho de bebê
você não perdeu muita coisa, meu velho
você estaria num tribunal de indigentes

Examine o futuro
examine o passado
Aqui estou eu, enfim só
com a história acabada e amanhãs por vir
Eu testemunhei a invenção da bomba atômica
Eu vi minha própria morte
será que eu devia tentar evitá-la
E se conseguisse- será que eu podia viver para sempre
E jamais envelhecer e ser sempre saudável
Será que eu podia mudar nossa época e ficar muito rico
Será que a história mudaria porque eu a vi
Enfim só
Enfim só
Enfim só

Aqui estou eu , enfim só
uma cabeça sobre os ombros
pernas embaixo da bunda
à minha frente o futuro
Atrás de mim o passado
o presente se modificando sempre

Se eu soubesse o que podia fazer
um é um e dois são dois
Mas isso que vou atravessar é o tempo
Enfim só
enfim só
passado o futuro

sábado, 10 de julho de 2010

"E eu, uma mulher sorridente. Eu, com apenas trinta anos.E como o gato tenho nove vezes para morrer"

O caixão no tarot cigano significa renascimento. Há uns meses me veio esta carta em um momento auspicioso, como um sopro no ouvido.
Descobri-me de novo quando achei que já sabia de tudo : eu tenho sede de aprender... Cada lugar , histórias que ouço de estranhos, ou de crianças que me ensinam tanto.
Quero renascer por muitas vezes ainda, para enxergar o que me foi negado, para reinventar-me (sempre).

sexta-feira, 25 de junho de 2010

vale a pena assistir:

http://www.youtube.com/watch?v=O6mbjTEsD58&feature=related


Chimamanda Adichie: “O perigo de uma única história”. http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html Translated into Portuguese (Brazil) by Erika Barbosa Reviewed by Belucio Haibara
Eu sou uma contadora de histórias e gostaria de contar a vocês algumas histórias pessoais sobre o que eu gosto de chamar "o perigo de uma história única".
Eu cresci num campus universitário no leste da Nigéria. Minha mãe diz que eu comecei a ler com dois anos, mas eu acho que quatro é provavelmente mais próximo da verdade. Então, eu fui uma leitora precoce. E o que eu lia eram livros infantis britânicos e americanos.
Eu fui também uma escritora precoce. E quando comecei a escrever, por volta dos sete anos, histórias com ilustrações em giz de cera, que minha pobre mãe era obrigada a ler, eu escrevia exatamente os tipos de histórias que eu lia. Todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis. Eles brincavam na neve. Comiam maçãs. (Risos da plateia) E eles falavam muito sobre o tempo, em como era maravilhoso o sol ter aparecido. (Risos da plateia), apesar do fato que eu morava na Nigéria. Eu nunca havia estado fora da Nigéria. Nós não tínhamos neve, nós comíamos mangas. E nós nunca falávamos sobre o tempo porque não era necessário.
Meus personagens também bebiam muita cerveja de gengibre porque as personagens dos livros britânicos que eu lia bebiam cerveja de gengibre. Não importava que eu não tivesse a mínima ideia do que era cerveja de gengibre. (Risos da plateia) E por muitos anos depois, eu desejei desesperadamente experimentar cerveja de gengibre. Mas isso é outra história. A meu ver, o que isso demonstra é como nós somos impressionáveis e vulneráveis em face de uma história, principalmente quando somos crianças. Porque tudo que eu havia lido eram livros nos quais as personagens eram estrangeiras, eu convenci-me de que os livros, por sua própria natureza, tinham que ter estrangeiros e tinham que ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar.
Bem, as coisas mudaram quando eu descobri os livros africanos. Não havia muitos disponíveis e eles não eram tão fáceis de encontrar quanto os livros estrangeiros, mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye eu passei por uma mudança mental em minha percepção da literatura. Eu percebi que pessoas como eu, meninas com a pele da cor de chocolate, cujos cabelos crespos não poderiam formar rabos-de-cavalo, também podiam existir na literatura. Eu comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia.
Bem, eu amava aqueles livros americanos e britânicos que eu lia. Eles mexiam com a minha imaginação, me abriam novos mundos. Mas a consequência inesperada foi que eu não sabia que pessoas como eu podiam existir na literatura. Então o que a descoberta dos escritores africanos fez por mim foi: salvou me de ter uma única história sobre o que os livros são.

terça-feira, 22 de junho de 2010

de um crítico

"Ave, Saramago.que não descanses em paz, mas que continues na tua e na nossa memória, a luta pela boa literatura, a liberdade e um mundo com menos injustiças que este nosso."