terça-feira, 4 de junho de 2013


Com doze , achava que quando eu fizesse quinze seria “a mulher”como na passagem de tempo de um livro. Nem preciso dizer que continuei baixinha, magrinha e nem muito menos boba que antes. Quando começo a me fazer perguntas do tipo,”como vai ser quando?” Essa lembrança me acalma um pouco
Lembro também quando tinha uns seis, sete anos, quase sempre calçava o chinelo com o pé trocado, minha avó dizia que quando casasse entraria na igreja com o sapato trocado. Isso me preocupava bastante.

E cá estou ,talvez me sirva de consolo que nunca casei e, ainda sim, aprendi a calçar o chinelo certo.

sábado, 1 de junho de 2013

Lendo uma crônica de Rubem Braga sobre 10 coisas que fazem realmente a vida valer a pena, fiquei aqui pensando e resolvi arriscar Também
- viajar e perder- se um pouco das notícias do dia a dia
- Voltar e reencontrar pessoas queridas
- Ir a um lugar sem vontade alguma, e ser tão especial de marcar a sua vida de alguma forma.
- Trabalhar duro por algo e depois de meses, chegar onde tanto se quis
- Ter encontros de alma
- Andar por um lugar novo e encantador
-Ler ou ouvir uma música que te toca
-Voltar a um lugar que se foi muito feliz
- Sentir seu trabalho útil e valorizado

- Sentir que se livrou de algo que não estava fazendo bem.

segunda-feira, 13 de maio de 2013



"E eu que já perdi a hora e o lugar. Aceito."

domingo, 24 de março de 2013

Eu gosto de inventar histórias, desde criança sou assim. Mesmo crescendo , mentalmente, dei muita corda a fantasia, e até acho que tive muitos amores platônicos por cultivar essa prática.
É claro que quando mais nova, às vezes tropeçava nesses devaneios. Já tive um namorado, que certa vez, brincou me chamando de platoniquete.
O fato é que hoje, eu brinco mesmo com histórias que poderiam ser , e que, às vezes, são fatos corriqueiros mesmo.

No entanto, também aprendi a controlar minhas invencionices. São só subterfúgios para que a vida fique mais leve. Mas que de vez em quando, bem que tudo podia ser mais fácil assim, do tipo, eu quem decido, podia, né?! [ou não]

quarta-feira, 6 de março de 2013

"Cuidado que eu mudei de lugar algumas certezas"

sábado, 19 de janeiro de 2013

Ah! como suas verdades me doem, Caio!


Dois ou três almoços, uns silêncios.Fragmentos disso que chamamos de "minha vida".
Caio Fernando Abreu


Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.

Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.
(Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", 22/04/1986)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Para começar 2013



Assim como em O amor e outras drogas, eu também quero o inesperado da vida. Fico feliz com a exceção, seja ela pequinininha, como o reencontrar de alguém que não se vê há muito tempo, como também algo que entre na história, ou alguém que transforme o ritmo dos passos.
 Sem descrever que seja apenas inesquecível e memorável .

“Eu me preocupava bastante com o que queria ser quando crescesse, quanto ganharia ou se me tornaria alguém importante. Às vezes, as coisas que você mais quer, não acontecem. E às vezes, as coisas que jamais esperaria, acontecem.”

Filme; “O amor e outras drogas